Prejuízo econômico com a violência contra a mulher chega a 1 bilhão

Após uma violência doméstica, a mulher sofre com a falta de concentração, erros recorrentes e ausência no local de trabalho e segundo um estudo realizado na Universidade Federal do Ceará, foi identificado que o custo a economia brasileira pode chegar a 1 bilhão de reais. Essas ações após as agressões têm como resultado um montante que deixou de circular no país e causam sequelas irreparáveis.

O relatório realizado pela segunda vez pelo Centro de Pesquisas de Condições Socioeconômicas e Violência Doméstica e Familiar, fez o acompanhamento da vida de 10 mil mulheres localizadas em 9 capitais do Nordeste desde do ano passado.

O estudo contou com a parceria do Instituo Maria da Penha e teve a participação dos Estados Unidos e Europa. As mulheres que participaram das pesquisas que moram no Piauí disseram que a saúde mental foi afetada pela agressão sofrida e em 42% das mulheres que moram em Sergipe e 40% no Rio Grande do Norte disseram sofrer com as mesmas sequelas.

Na pesquisa os números indicaram que as que sofreram agressões faltaram no serviço durante 18 dias no ano e as mesmas ficam menos tempo em seus empregos, com uma média de 58 meses e as que não sofrem violência doméstica ficam em média 78 meses em seus empregos.

Os salários das mulheres são 10% menores que dos homens. As que sofrem violência doméstica recebem em média, R$ 5,98 por hora trabalhada e as que não sofreram violência recebem R$ 9,11 no Ceará. As mulheres negras que sofrem violência chegam a receber 22% a menos, sendo que de um modo geral a empregabilidade é menor para as mulheres.

A violência contra a mulher deprecia o capital humano delas, segundo José Raimundo Carvalho Júnior, professor e coordenador da pesquisa, “A violência deprecia o capital humano da mulher. Grande parte do emponderamento feminino vem da capacidade de trabalho. O homem produz a violência contra a mulher, causa todos esses impactos, cria uma sequela na economia e retroalimenta essa relação: ele sabota a mulher como trabalhadora e ela perde esse emponderamento. Os setores públicos e privados não fazem praticamente nada para reverter isso”, disse Raimundo.

 

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