Ganhar US$ 1 bilhão na loteria não garante que você não falirá, dizem estudos

Quando se fala em economizar-se dinheiro, é possível que muitos pensem apenas nas situações da pessoa ter pouco dinheiro, no sentido de “ou você economiza ou ficará sem nada, pois tem muito pouco”. No entanto, o ser econômico é um estado que deve estar presente na mente até dos ganhadores da loteria, mesmo os que tornam-se então bilionários. Sim, mesmo com um bilhão de dólares na sua conta, nada o impede de ir à falência. E é sobre isso que iremos tratar, a partir de análises feitas no cenário norte-americano de premiações a partir de loterias.

Lá, nos EUA, em 2018, houve uma acumulação do prêmio da Mega Millions, totalizando-se US$ 1,5 bilhão, após 25 concursos sem nenhum ganhador, como vimos nas notícias. Essa dificuldade de alguém ganhar é explicada, inclusive, matematicamente: a probabilidade de um norte-americano tirar essa sorte grande é de uma em 303 milhões. Para se ter uma ideia, podemos fazer o comparativo com a probabilidade de sermos atingidos por um raio. Talvez pareça estranha essa comparação, mas fato é que uma tragédia do tipo é 400 vezes mais provável, dizem as estatísticas.

Não obstante, após tantos acumulações consecutivas, eis que uma única pessoa levou todo o prêmio, durante o mês de outubro do mesmo ano, sendo essa a segunda maior premiação em toda a história daquele país. Porém, segundo estudos realizados, todos eles sérios, essa enorme sorte poderá não ser assim tão “sortuda”, digamos desse modo. Vamos à explicação, por fim, começando pela parte de ser o prêmio não tão grande quanto parece ao ser anunciado.

Sim, ainda que, ao ganhar, esse indivíduo tenha escutado que levaria um total de US$ 1,5 bilhão, como já dito, o fato é que ele receberá, ao fim, muito menos dinheiro. E para onde vai esse dinheiro não recebido?

Ora, primeiramente que o ganhador terá de escolher ou entre receber, de uma única vez, o valor descontado de US$ 878 milhões, ou os seus US$ 1,5 bilhão parcelado de forma progressiva crescente, durante 30 anos. Após tal decisão, começam a vir as taxações: só de imposto, a depender do Estado americano em que vive, o governo federal ficará com, no mínimo, US$ 211 milhões, assim restando-lhe US$ 667 milhões. Esse caso, vale pontuar, é caso ele resida onde não imposto sobre loteria não é cobrado, a exemplo da Flórida e também do Texas. Todavia, pelo o que soubemos, o bilhete premiado foi obtido em outro local, Carolina do Sul, onde o referido Estado retira uma parte a mais, de 7%, assim sobrando, por fim, US$ 606 milhões do valor inicial.

Depois de tratada a questão das taxações que vão reduzindo o valor final do prêmio, podemos citar o artigo, de 2001, feito pelos economistas de nome Guido Imbens e Bruce Sacerdote, junto com o estatístico chamado Donald Rubin. Segundo eles, o mais comum é que as pessoas gastem aqueles ganhos que são inesperados, como os obtidos em jogos de loteria. Não parando por aí, foi feita uma análise financeira que tratava sobre como encontravam-se os ganhadores de loteria dez anos após o prêmio. Descobriu-se, com ela, que essas pessoas, em média, apenas economizaram cerca de 16 centavos de cada dólar ganho na premiação.

Fora toda essa análise, existem estudos de outros pesquisadores que coadunam com essa perspectiva, a exemplo dos que concluem que a sorte obtida na loteria, com o ganho de uma fortuna, não costuma de fato ajudar aqueles com dificuldade financeira a resolverem os seus respectivos problemas. De tal modo que, inclusive, dos que ganham na loteria, um terço deles acabam perdendo tudo, ou seja, a loteria não foi uma solução, apenas um adiamento da inevitável falência.

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